Comece por uma pergunta, não por um resumo inteiro
Escreva o título no centro e escolha o que pretende entender. Em Dom Casmurro, por exemplo, você pode perguntar como a memória de Bentinho organiza os fatos. Essa pergunta orienta as conexões e ajuda a separar o que o livro mostra daquilo que o narrador interpreta. O mapa não precisa contar cada capítulo para ser útil.
Escolha seis ramificações que realmente conversem
Uma primeira estrutura pode reunir narrador, personagens, conflito, espaço, tempo e temas. Em uma obra de não ficção, troque personagens por conceitos ou argumentos. Use títulos curtos nas ramificações e uma frase sua para explicar cada ideia. Se uma ligação só repete a anterior, reveja o esquema.
Anote evidências na sua edição
Depois de criar os tópicos, encontre uma cena ou uma passagem que sustente cada conexão. Registre o capítulo ou a página da edição que você está lendo. A paginação muda entre edições, por isso um número isolado encontrado na internet pode não ajudar. Diferencie observação do texto, hipótese de interpretação e contexto histórico.
Faça as conexões visíveis
Ligue os temas aos personagens e às escolhas do narrador. A seca, em Vidas Secas, se conecta à migração e ao horizonte da família; o sofrimento também envolve exploração e acesso desigual aos recursos. Uma ligação com um verbo costuma ser mais precisa do que apenas uma linha: limita, transforma, contradiz, aproxima.
Revise depois de ler
Um bom mapa muda. Ao terminar a obra, volte à pergunta inicial e veja quais hipóteses se sustentam. Deixe espaço para ambiguidades e para os limites da sua leitura. Para compartilhar, mantenha a redação original, indique título e autor e sinalize revelações importantes da trama. Evite copiar capítulos, páginas de edições ou imagens de capas sem autorização.